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quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Mário Zagallo, a formiguinha, foi fundamental na criação do 4-3-3

Roberto Assaf
 06/08/2016
 21:17
São Paulo (SP)
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Vários treinadores tentaram ganhar a paternidade do 4-2-4 nas décadas de 1950 e 1960. Entre os mais notórios, o paraguaio Fleitas Solich, no tri carioca do Flamengo em 1955, Martim Francisco, dirigindo o Vasco campeão do Rio em 1956, o húngaro Bella Guttman no São Paulo que conquistou o título paulista de 1957, e o também brasileiro Luis Alonso Peres, o Lula, técnico do Santos de Pelé, o maior time de futebol de todos os tempos. Mas a Enciclopédia Barsa, editada em vários idiomas, garante que a primazia pertenceu a Martim, mineiro de Barbacena, que morreu aos 54 anos, em 1982.

Poucos discordam, no entanto, que o 4-3-3 surgiu quando Zagallo passou a fazer o terceiro homem de meio-campo, discretamente no Flamengo de Solich, e efetivamente na Seleção de 1958, durante a Copa do Mundo disputada na Suécia.

É preciso lembrar que Telê Santana já cumprira função próxima no Fluminense, antes do Velho Lobo, pelo setor direito. Mas é fato que a crítica não destacou o trabalho de nenhum deles, porque o futebol foi muito conservador até o começo da década de 1960. Os treinadores eram apegados aos esquemas tradicionais, os jogadores guardando as suas posições, os laterais sem liberdade para atacar, os zagueiros fixos, quase sempre dando chutões, os médios – como chamavam – ocupando invariavelmente a mesma faixa do campo, e os atacantes jogando basicamente para frente, raras vezes marcando ou voltando para defender.

Zagallo ficou com a fama porque seu trabalho apareceu ao longo da conquista do primeiro título mundial do Brasil. Ele e Telê – que nunca, acredite, jogou na Seleção – tinham a facilidade para driblar, e era comum surgirem na área adversária para finalizar.

No trio de meio-campo de 1958, Zito era o homem que além de auxiliar a zaga, tomava a bola do adversário para entregá-la a Didi, que tinha liberdade para pôr em prática toda a sua infinita habilidade, enquanto Zagallo fazia o vai-e-vem que completava o serviço dos dois – daí o apelido de “formiguinha”.

É fundamental lembrar dois lances capitais do Velho Lobo na decisão contra a Suécia, em 1958, e que se encaixam com perfeição no seu estilo versátil. Aos 23 minutos do primeiro tempo, quando o jogo estava 1 a 1, o ponta Skoglund encobriu Gilmar, e Zagallo, postado na linha, evitou o gol. Por uma curiosa coincidência, aos 23 da etapa derradeira, o nosso personagem apareceu na área do adversário, dividiu com Börjesson, e tocou a bola entre as pernas de Karl Svensson, para assinalar o quarto gol. Como é do conhecimento geral, o Brasil venceu por 5 a 2.

Zagallo nunca deixou de jogar do seu jeito. Mesmo depois que pendurou as chuteiras – como se dizia no seu tempo – e abraçou a carreira de técnico. Com os times que armou, e que mais fizeram sucesso, havia sempre um ponta recuado. No Botafogo dos anos 1960, na Seleção de 1970, e no Flamengo de 1972 e 1973 era Paulo César Lima. No vice mundial, em 1998, na França, utilizou Rivaldo para fechar o meio, mas jamais descartou Denílson, que entrava sempre em algum momento do segundo tempo para cumprir a função, pois, a exemplo do próprio treinador, também era um ponta-esquerda autêntico.

Zagallo passou a vida – completa 85 anos em agosto – rechaçando a acusação de "retranqueiro", encerrando a discussão com um argumento simples, mas convincente. "Um retranqueiro não pode ter tantos títulos. Não sou defensivista, tampouco ofensivista. No futebol, como na vida, o equilíbrio é tudo. Sou dos que acreditam que o todo é maior do que suas partes. O treinador defensivo não leva sua equipe a lugar algum. O ofensivo, apenas ofensivo, também não. Atacar sem disciplina é suicídio. Defender, apenas defender, é renunciar à vitória".

Pois é. O homem conquistou 80 títulos, como craque e técnico, 30 deles efetivamente importantes, entre os quais três Copas do Mundo. O último foi a Copa dos Campeões, com o Flamengo, em 2001. Zagallo encerrou a carreira em 2006, após o Mundial disputado na Alemanha, quando o Brasil foi eliminado pela França.

Abaixo a súmula de decisão de 1958.



BRASIL 5 x 2 SUÉCIA

Data: Domingo, 29 de junho de 1958.

Competição: Copa do Mundo de 1958 / Decisão.

Local: Estádio Rasunda, em Estocolmo / Suécia.

Público: 49.737 espectadores.

Arbitragem: Maurice Guigué / França, Albert Dusch / Alemanha e Juan Gardeazabal / Espanha.

Gols: Nils Liedholm 4’, Vavá 9’ e 32’, Pelé 55’ e 90’, Zagallo 68’ e Agne Simonsson 80’.

BRASIL: Gilmar, Djalma Santos, Bellini, Orlando Peçanha e Nílton Santos; Zito e Didi; Garrincha, Vavá, Pelé e Zagallo. Técnico: Vicente Italo Feola.

SUÉCIA: Karl Svensson, Orvar Bergmark, Bengt Gustavsson e Sven Axbom; Rejno Borjesson e Sigvard Parling; Kurt Hamrin, Gunnar Gren, Agne Simonsson, Nils Liedholm e Lennart Skoglund. Técnico: George Raynor (Inglaterra).
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