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Após escândalos, verbas de patrocínio da CBF caem pela 1ª vez em 10 anos




Era maio de 2015 quando foi deflagrada a maior investigação sobre corrupção no futebol. Comandada pelo FBI, ela levou diversos dirigentes da alta cúpula da Fifa para a prisão, entre eles estava José Maria Marin, ex-presidente da CBF. No mesmo ano, com cada vez mais denúncias surgindo, a entidade máxima do futebol brasileiro sentiu no bolso as consequências do escândalo. O balanço financeiro de 2015 da CBF mostrou que sua arrecadação com patrocínio caiu pela primeira vez desde 2006, apesar de ter fechado o ano com receita geral recorde. 

 Depois de ter atingido faturamentos recordes com a Copa do Mundo de 2014 – um aumento de cerca de 26% do lucro, atingindo a marca dos R$ 88 milhões –, a CBF não teve um ano de 2015 tão prolífico. De acordo com Amir Somoggi, especialista em marketing e gestão esportiva, a entidade viu as suas receitas com patrocínio terem uma queda de 6%. O envolvimento direto nos escândalos de corrupção da Fifa parece ser o principal motivo que gerou o afastamento de algumas empresas da CBF. Dos seus últimos três presidentes eleitos, José Maria Marin está em prisão domiciliar, em Nova Iorque, aguardando o julgamento do seu caso, enquanto Ricardo Teixeira, presidente da entidade de 1989 até 2012, e Marco Polo Del Nero, atual mandatário, foram acusados pelo FBI de corrupção.“Ela não teve nenhum outro motivo para ter essa queda com patrocínios. O impacto ainda não foi tão alto, pode ser maior para o futuro”, alertou Somoggi em contato com a Gazeta Esportiva. Um ponto polêmico no balanço financeiro da entidade é a forma como ela divide os seus gastos. 

Despesas com questões administrativas e pessoais atingiram R$ 190 milhões em 2015, enquanto as com futebol foram de R$ 226 milhões. A classificação da CBF do que são “custos diretos com futebol” é alvo de debate. Além dos custos com seleções, com as Séries A, B, C e D e com a Copa do Brasil de futebol feminino, a entidade inclui como “gastos diretos com futebol” o dinheiro designado, entre outros, para a contribuição ao fomento no futebol aos Estados, e para os órgãos e departamentos de apoio. Na análise de Somoggi, os custos diretos da CBF com o esporte seriam de R$ 162 milhões, ao invés dos R$ 226 milhões divulgados – cerca de 30% a menos. 

 “Até o ano passado, o balanço da CBF era diferente. Os números mostravam que ela desembolsava muito mais dinheiro com ela mesma do que com o futebol. Sem entrar no mérito se ela gasta bem ou mal, o papel dela é gastar com o esporte e não com altos salários. Por conta disso, eles querem bater muito na tecla que eles gastam muito mais com futebol do que com o pessoal. Despesas com federações, por exemplo, eu considero como administrativas”, esclareceu Amir Somoggi. 

 Apesar de a evolução da receita de 2014 para 2015 ter sido de apenas 3%, o pior desempenho desde 2007, a entidade continua operando no superávit de forma muito confortável. Acumulando lucros desde 2007, mesmo com a queda no patrocínio, a CBF apresentou a maior receita da sua história (R$ 556 milhões) no ano passado. A pujança econômica dela contrasta com a escassez dos clubes. Nos balanços das finanças das agremiações brasileiras de 2015, a dívida dos clubes superou a casa dos R$ 6 bilhões, segundo número de Amir Somoggi. A dívida sozinha do Botafogo, líder no ranking de devedores, supera todo o lucro acumulado pela CBF, chegando na casa de R$ 731,1 milhões.

 “Os gastos com as Séries A, B, C e D (R$ 55 milhões) são muito baixos, se compararmos com os designados ao pessoal (R$ 190 milhões). São os números que comprovam o clichê: clubes pobres e CBF rica”, concluiu Somoggi para a Gazeta Esportiva. A reportagem tentou entrar em contato com a CBF, mas não obteve resposta até o fechamento desta reportagem. 

  *Especial para a Gazeta Esportiva
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