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domingo, 14 de fevereiro de 2016

VIDEO : LEÔNIDAS DA SILVA


VIDEO


por Breno Menezes 


Leônidas da Silva, o eterno "Diamante Negro", grande craque do futebol brasileiro nas décadas de 30 e 40, morreu em janeiro de 2004, aos 90 anos, muito debilitado pelo Mal de Alzheimer. Centroavante de rara elasticidade e velocidade, Leônidas brilhou defendendo o Flamengo, São Paulo e Seleção Brasileira. Na Gávea, ele marcou 150 gols em 179 jogos (113 vitórias, 30 empates e 36 derrotas), (segundo números do "Almanaque do Flamengo", de Roberto Assaf e Clóvis Martins), entre 1936 e 1941 . Contratado pelo Tricolor Paulista, anotou mais 142 gols até 1950. Pelo São Paulo, Leônidas disputou 210 partidas. Segundo o "Almanaque do São Paulo", de Alexandre da Costa, foram 136 vitórias, 36 empates e 38 derrotas. Porém, não foi apenas o ótimo aproveitamento como artilheiro que notabilizou a carreira do "Diamante Negro".

 Leônidas é considerado o inventor da bicicleta, jogada que acabou por lhe render o apelido de homem-borracha. Com a camisa da Seleção, o centroavante disputou 37 partidas, anotando o mesmo número de gols, e disputou os Mundiais de 1934 e 1938, quando sagrou-se artilheiro com sete gols (até novembro de 2006 o "Diamente Negro" era considerado artilheiro isolado da Copa de 38 com 8 gols, mas a Fifa fez uma recontagem e "tirou" um gol do brasileiro - da partida em que o Brasil bateu a Tchecoslováquia por 2 a 1 - que passou a dividir a artilharia com o húngaro Gyula Zsengeller). Leônidas da Silva e Quarentinha são os maiores goleadores absolutos da seleção brasileira, ambos com a média de gol (1,00) por jogo; Leônidas jogou 37 vezes e fez 37 gols. Quarentinha jogou 17 vezes e fez 17 gols pela seleção. O recorde de Leônidas e Quarentinha abrange jogos da seleção brasileira de 1914 a 2004, e batem os índices de Pelé (0,83% de gol por jogo), Romário (0,80), Zico (0,72), Ronaldinho (0,72), Bebeto (0,46), Jairzinho (0,40), Rivelino (0,33), Tostão (0,55), Ademir de Menezes (0,85), Ronaldinho Gaúcho (0,56) e outros. Ademir de Menezes, com 9 gols, é o maior goleador do Brasil numa única Copa do Mundo (1950). 

 Esses dados são da obra "Seleção Brasileira ? 90 anos? (1914-2004), editado pela CBF/Mauad, dos jornalistas Antônio Carlos Napoleão e Roberto Assaf. O livro é uma publicação oficial da CBF. No prefácio, o jornalista Marcos Penido retrata episódios destacados de unicamente 3 jogadores nacionais: Leônidas da Silva, Nilton Santos e Pelé. Na galeria de títulos de Leônidas destacam-se os cariocas de 1934 (pelo Vasco), 1935 (pelo Botafogo) e 1939 (pelo Flamengo), e os paulistas de 1943, 45, 46, 48 e 49, todos pelo São Paulo Futebol Clube. Natural do Rio de Janeiro-RJ, Leônidas - nascido em 6 de setembro de 1913 -, começou a carreira no Bonsucesso e passou por Peñarol, Vasco e Botafogo antes de chegar ao Flamengo. 

Marcou gols tanto pela seleção carioca (15), quanto pela paulista (7). Vitimado por graves problemas de saúde, o Diamante Negro passa os últimos anos de sua vida internado na clínica São Camilo, especializada em idosos. Aos 85 ganha sua biografia, "Diamante Eterno?, escrita por André Ribeiro. Quatro anos depois, o cineasta Paulo Machline inicia a produção de um filme sobre o ex-craque.


Vinculado no Rio de Janeiro e tido como acabado para o futebol, Leônidas veio para São Paulo numa aposta de Paulo Machado de Carvalho, que como dirigente do São Paulo pagou 200 mil reis pelo seu passe. Ao chegar em São Paulo ele teve o dissabor de ouvir que não passava de um bonde no valor de 200 mil reis. Doutor Paulo Machado de Carvalho o trouxe para cá com a promessa dele, de que se regenaría, após ser preso como estelionatário por adulterar o certificado militar. E foi no São Paulo um cidadão que não deu problemas. Leônidas se limitou a jogar futebol. E como jogou!

Sua estreia no São Paulo foi na metade dos anos 40. Nunca o estádio do Pacaembu teve tanta gente como naquele dia (72 mil pessoas). Os alto-falantes do estádio pediam as pessoas que ficassem de pé para poder abrigar a todos. E assim foi para se chegar a esse publico record, que nunca foi quebrado, mesmo tendo o estádio sido aumentado com a demolição da concha acústica e a construção do tobogã, em 1969.

Foi no Pacaembu que o público viu o lance antológico que até hoje não se esquece. Quando ele Leônidas, sentindo que não alcançaria a bola jogou o corpo para o ar e com as duas pernas como se estivesse se esperneando conseguiu alcançar a bola indo ela para as redes. Geraldo José de Almeida em sua narração apelidou de gol de bicicleta. E ainda citou com irônia que, quem tinha feito tal façanha, era o "bonde" de 200 mil reis".

Mário Lopomo