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terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Alex diz ter dó de Bacellar, defende estaduais e compara CBF com a Fifa




O ex-jogador Alex esteve em Curitiba nesta segunda-feira (21) para promover nova noite de autógrafos do livro Alex, a biografia, lançado mês passado. Antes de presentear os fãs, o ídolo do Coritiba e atual comentarista esportivo recebeu a equipe da Gazeta em uma das mesas do bar Folha Seca, propriedade do preparador físico Carlinhos Neves. Alex discorreu sobre o movimento Bom Senso F.C, do qual é um dos líderes, das crises políticas na CBF e na FIFA, a tentativa de criação da Primeira Liga, a importância dos Estaduais, a situação de Hélio Cury na Federação Paranaense de Futebol (FPF) e, claro, sobre o Coritiba, clube do coração. “Tenho até dó do Bacellar”, dispara o craque, sobre o presidente alviverde Rogério Bacellar e o desmantelamento do G5 do clube. 


Confira os principais temas do bate-papo. 

 Bom Senso F.C 

 “Foi um ano bom para o movimento no seguinte sentido: a Medida Provisória (MP) 671 foi aprovada [lei de responsabilidade fiscal dos clubes, o Profut]. E o movimento participou disso de maneira bem ativa. Eu, particularmente, fui a Brasília quatro vezes. Conversei com a presidente Dilma, ministros, líderes de bancada, pessoas do Senado e a lei foi aprovada. Não é a salvação do futebol brasileiro. Mas é o início. No final do ano teve a movimentação Ocupe a CBF, que acredito que seja válida. Sobre um possível candidato do Bom Senso para a CBF, isso só vai existir quando a possibilidade aconteça. No regime eleitoral atual da CBF fica inviável, impossível. 

Quebrado esse processo — não sabemos como vai ser e se vai acontecer — fica aberto não só para o Bom Senso, mas para quem quiser e tiver novas ideias, a chance de rejuvenescer o futebol brasileiro.” Confederação Brasileira de Futebol (CBF) O ano da CBF é desastroso em todos os sentidos. No campo a gente não obteve resultado porque perdemos a Copa América. No final das contas é algo muito pequeno porque o trabalho do Dunga visa à Copa do Mundo. Mas sempre que o Brasil compete e não ganha é complicado. Fora de campo foi mais desastroso ainda. 

Dos últimos presidentes da CBF, o José Maria Marin está preso. O Ricardo Teixeira foi indiciado, assim como o Marco Polo Del Nero. Ou seja, os três estão envolvidos com problemas judiciais. Um já está preso. Realmente a imagem da CBF acaba muito arranhada. No final, vimos uma briga pelo poder entre o Delfim Peixoto [presidente da Federação Catarinense de Futebol] e o coronel Nunes [eleito vice-presidente]. Uma briga que mostra que o regime foi feito para quem está no comando permanecer no comando. Se torna pior ainda. A gente vê uma troca de comando, mas não de mentalidade. E, se se troca a mentalidade, é para pior. 

 A situação da Fifa e da CBF é um reflexo de como se faz política no mundo hoje. Se fizermos uma análise da política brasileira e da política da CBF, acontece algo muito parecido. Infelizmente a sociedade está assim. Nós no Brasil estávamos acostumados a ver a impunidade como normal. Então quando vemos pessoas que teoricamente têm algum poder começarem a ser punidas até causa certo susto. A mudança assusta no começo. Na Fifa a gente já vê mudanças. Quando você tem um ex-presidente, o Joseph Blatter, e o ex-presidente da Uefa, Michel Platini, banidos por oitos anos — o que acredito que seja pouco porque, se está comprovado algo contra eles, tinham de ser expulsos do futebol — já é um início. Acredito que na Fifa já foi feita alguma coisa. 

Em termos de CBF, a gente tem de esperar para ver o que vai acontecer. Primeira Liga Como pontapé inicial para uma mudança, acho interessante. A forma como estão conduzindo, no entanto, só é uma demonstração daquilo que a gente vê ao longo da história do nosso futebol. Só é mais uma demonstração de que temos de mudar os conceitos. Eles não conseguem sentar entre eles e escolher quem vai dirigir essa Liga. Quem vai ter condição de fazer a coisa funcionar bem. Mas prefiro olhar pelo lado positivo. 

Os clubes acham ruim jogar o Estadual e, para essa equipes, é possível que a Liga seja mais rentável e tecnicamente melhor. Isso é bom. Cabe às federações cuidar de fomentar o futebol para as equipes que ficaram fora das ligas. Mas o ponto negativo é que, infelizmente, entre eles [dirigentes], eles ainda não se acertaram. Marcelo Andrade/Gazeta do Povo Estaduais Sou totalmente a favor dos Estaduais. Têm de acontecer. Até mesmo porque existem cidades fortíssimas dentro dos estados. O Paraná está entre as cinco melhores economias do país e isto pode ser refletido no esporte. As regiões Sudoeste e Oeste têm quatro equipes na Liga de Futsal, uma equipe de vôlei na Liga Brasileira, são uma prova disso. Acabar com os estaduais é tirar emprego de muita gente, é tirar o futebol de cidades importantes. Agora, a Federação Paranaense de Futebol tem de trabalhar bem. É só vermos o caso do Arapongas, que está brigando para poder jogar a Segunda Divisão. E as outras equipes, no caso Atlético, Coritiba e Paraná, têm de achar seu caminho. Se acham que devem jogar a Liga, decidir como disputarão os estaduais. Federação Paranaense de Futebol (FPF) Outra entidade que teve um ano ruim. Porque pouco se fomenta o futebol, principalmente no Interior. Acompanhei de perto as eleições deste ano, confusas até o final. 

O Hélio Cury e o Ricardo Gomyde brigaram até o fim, mas sempre com alguma confusão. As divisões menores, pelo que sei, têm muito pouca participação da Federação na organização de competições. A auditoria promovida por Atlético e Coritiba é válida. São os dois principais clubes do Estado querendo respostas da sua Federação. Cabe ao Hélio Cury oferecer essas informações. Estive com ele uma vez. Mostrou-se muito solícito e aberto. Então cabe a ele mostrar os documentos que a auditoria pedir e, se não tiver nada, seguir em frente. Agora, se tiver algo [de errado], que as pessoas envolvidas sejam punidas. Coritiba Marcelo Andrade/Gazeta do Povo Em 2016 podemos esperar um time mais equilibrado. E uma diretoria mais convicta. A gente viu uma diretoria...É claro que tenho até dó do Bacellar. Ele foi eleito com o G5, com as pessoas vendendo uma ideia de fazer algumas coisas no clube. Não sei o que houve lá dentro, mas isso ruiu. 

Primeiro com as saídas do [Ricardo] Guerra e do professor [João Paulo] Medina, que era peça central do projeto. Infelizmente o Medina saiu. Logo depois teve o problema com o [Ernesto] Pedroso, que acaba saindo. Aí vem o Pierre [Boulos] para substituí-lo no G5, mas acaba acontecendo a crise do whatsapp. A diretoria foi se diluindo ao longo do tempo. Então espero que essa diretoria seja mais fortalecida e com convicção. 

O Gilson Kleina chegou, que ele possa trabalhar, pois já conhece o clube desde a década de 80, quando cresceu ali dentro. O Kleina ainda convenceu o Robson Gomes a largar o sonho de ser treinador e se manter preparador físico. O Robson é outro que conhece a casa. E que haja suporte para que possam trabalhar. Que no Brasileiro montem uma equipe equilibrada para não acontecer o que vem acontecendo nos últimos anos: brigar no desespero sempre na parte de baixo da tabela. Planos pessoais Sigo na televisão fazendo os programas da grade da ESPN, acompanhando minhas filhas jogando tênis, junto da família toda.

 Também sigo estudando fora de campo uma possibilidade de ser treinador mais à frente. Quero continuar convivendo e conversando com caras que têm uma visão de fora de campo muito mais ampla e maior do que a minha. Repercussão do livro A minha sensação está muito legal sobre a biografia. Se teve alguém que não gostou do livro não chegou até a mim [risos]. Ou não tiveram coragem ou não tive essa oportunidade. As pessoas que leram, cada um vai me enxergar de uma forma, e essa era a ideia. O cara que tinha uma visão de mim provavelmente vai mudá-la, de uma forma ou de outra. Isso tem sido interessante, positivo. As pessoas que chegam a mim diretamente ou pelas redes sociais têm sido bem positivas.
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